Você já ouviu falar da Cleptomania?
Você já ouviu falar da Cleptomania?
Em 12 de dezembro de 2001, Winona Rider foi presa por furto de roupas em uma loja em Beverly Hills o que acabou lhe rendendo o trocadilho por aqui de “Ladrona Rider”.
Agora, a última pessoa que você faria uma aposta para tal ato, aparece em destaque nos jornais, o Rabino Henry Sobel.
O presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista (CIP), rabino Henry I. Sobel, foi detido na última sexta-feira, em Palm Beach, nos Estados Unidos, acusado de ter furtado quatro gravatas de lojas de grife.
A primeira todos acham “normal”, afinal é famosa e vivem de escândalos, mas os religiosos também andam adorando as páginas policiais de Palm Beach, depois do casal Hernandes (líderes da Igreja Renascer), o Rabino também conseguiu grande exibição.
E antes que apareçam aqueles empunhando a bandeira de mais um cleptomaníaco, onde cita que “estudos feitos com ladrões de lojas sugerem que somente uma pequena parcela de 1% a 5% representa casos verdadeiros de cleptomania.“.
É como se diz, “Rico tem cleptomania e precisa de um psicólogo. Pobre é ladrão mesmo e precisa de cadeia”.
A única certeza: nem todo brasileiro que vai ao Estados Unidos vai a passeio ou em busca de emprego.
"Você já teve alguma experiência com uma pessoa cleptomaniaca? Deixe seu relato ou opinião sobre o assunto".
Disponível em: http://gulp.com.br/artigo/rabino-henry-sobel-a-winona-ryder-brasileira/
Algumas pessoas têm pedido ajuda acerca do tema, seja para ajudar a si próprias ou muitas vezes para ajudar um colega, normalmente do trabalho, que apresenta essa patologia. Segundo dados do Ambulatório de Psiquiatria da USP, a cada ano, em média, um paciente cleptomaníaco procurava ajuda; com o início da novela América esse número tem aumentado consideravelmente.
A personagem Haydée, interpretada pela atriz Christiane Torloni , tem trazido luz para vida de muitas pessoas que convivem direta ou indiretamente com um problema nem sempre compreensível para muitos.

A atriz Christiane Torloni, ao fazer o laboratório para viver a cleptomaníaca Haydée, pôde conviver com médicos, histórias de pacientes, leu muito sobre o assunto. “Pelo que entendi, têm casos que na verdade são fases de cleptomania. Isso porque a cleptomania é como se fosse a ponta de um iceberg. Por trás dela há um quadro muito mais complexo. Quando se toca na causa, às vezes se consegue, pelo menos, ter um controle da coisa”, conta ela sobre seus estudos.
Mas o que mais motiva Christiane no papel é o efeito que Haydée está surtindo nas pessoas que mais precisam. “Pelo que pude notar, dificilmente o cleptomaníaco se revela. É difícil de tratar porque dificilmente ele diz que sofre de cleptomania. Mas tive uma notícia bacana através de uns grupos de AA (Alcoólicos Anônimos) e NA (Narcóticos Anônimos) que diz que as pessoas estão se revelando em grupos, que dentro deles já estariam se formando grupos de ajuda à cleptomaníacos. A novela com certeza foi um ponta-pé para essa mobilização”, comemora.
Antes de mais nada é importante diferenciar furto de cleptomania. O furto normalmente é motivado pelo valor monetário ou pela utilidade que está agregada ao objeto. Já na cleptomania isso não acontece, os objetos que o cleptomaníaco “elege” não são necessariamente valiosos ou possuem utilidade. Os furtos do cleptomaníaco não costumam ser planejados e ele não tem ajuda de outras pessoas para agir, além disso, é importante destacar que a cleptomania não é um transtorno comum, apenas 5% da população que comete furtos é atingida, sendo a maioria mulheres. É preciso cuidar muito com essa diferenciação pois muitas pessoas que são pegas roubando, tentam simular o transtorno para evitar processos criminais. É muito diferente você ver um colega do seu trabalho levando objetos e utensílios da sua empresa para economizar e ainda se sentindo esperto por isso, do que você ver um colega roubando bobagens e sofrendo muito com esse comportamento.
Embora sejam poucas as informações sobre o assunto, existem sintomas que são comuns entre os cleptomaníacos. Quem sofre desse problema tem um sentimento crescente de tensão antes do furto e sente um enorme prazer, satisfação e principalmente alívio ao cometê-lo, segundo algumas pessoas é como se ocorresse uma descarga emocional, às vezes o indivíduo coleciona os objetos simplesmente ou os devolve de maneira discreta ao dono.
A cleptomania costuma ter como ‘pano de fundo’ a depressão e pode estar associada a outros transtornos como os de humor, alimentares e de ansiedade. Normalmente o perfil de um cleptomaníaco é de uma pessoa muito carente de afeto e atenção e o processo costuma iniciar na infância. Devido a isso os pais devem prestar muita atenção já na fase pré-escolar aos pertences dos filhos, pois quando a criança se sente carente por algum motivo, pode ‘compensar’ na tentativa de repor o amor que julga consciente ou inconscientemente não estar recebendo. Nessa hora é fundamental conversar com o filho, explicar a gravidade e as conseqüências da atitude do furto e, principalmente, avaliar se pode estar havendo um déficit de amor e atenção na relação. Quando um cleptomaníaco rouba um objeto ele está na verdade tentando roubar o afeto que está inserido naquele objeto, é como se o carinho que o proprietário tem pelo bem pudesse ser transferido conjuntamente com o mesmo, assim, na hora do furto, além do objeto viria o afeto.
O tratamento tanto para crianças quanto para adultos e idosos é a terapia, e em alguns casos a utilização de antidepressivos pode ajudar. No entanto é preciso que o cleptomaníaco tenha muita força de vontade, primeiro para assumir para si mesmo que precisa de ajuda, que tem um problema, para depois então procurar ajuda. Nessa hora é bom lembrar do pensamento de um autor desconhecido que diz: “Educar não é cortar as asas: é orientar para o vôo”; e é isso que o cleptomaníaco tem que entender, que essa mesma energia que o move para o furto, pode ser utilizada de uma outra forma, mais construtiva e harmoniosa.
"A pessoa cleptomaníaca tem um sentimento de crescente tensão antes do furto e sente prazer, satisfação ou alívio ao cometê-lo ...você condenaria uma pessoa assim?"
Disponível em:http://www.psicologia.com.pt/artigos/ver_opiniao.php?codigo=AOP0056&area=d5
Dispnível em: http://america.globo.com/Novela/America/0,,AA962207-4658-1,00.html
Qual a incidência de cleptomania na população geral?

Presume-se que a cleptomania seja um distúrbio raro, embora poucos estudos tenham sido feitos sobre sua prevalência na população em geral. Estudos feitos com ladrões de lojas sugerem que somente uma pequena parcela (de 1 a 8%) representam casos verdadeiros de cleptomania.
Na verdade, o roubo de lojas é extremante comum, de acordo com um estudo. Um pesquisador relatou que dos 263 clientes visitando lojas randomicamente, 27 (10%) foram observados roubando. Um estimou que correm aproximadamente 140 milhões de roubos por ano, mas que somente 4 milhões são pegos. Além disso, a incidência de roubos em lojas está aumentando.
Como distingüir um ladrão comum de um cleptomaníaco?
Não existem estudos controlados da psicopatologia da cleptomania, mas numerosos relatos de casos descrevem uma ampla extensão de sintomas psiquiátricos e distúrbios com aparente cleptomania. Os sintomas mais comuns associados parecem estar relacionados ao distúrbio do humor.
A maioria dos estudos de "ladrões anormais" (pessoas que foram apreendidas roubando e encaminhadas para avaliação psiquiátrica) têm descrito taxas elevadas de sintomas depressivos e depressão em seus sujeitos. Dos 57 pacientes cleptomaníacos descritos na literatura, 57% mostraram sintomas afetivos e 36% provavelmente encontrariam um critério diagnóstico para depressão ou distúrbio bipolar.
Alguns pacientes com cleptomania e distúrbio comórbido do humor têm descrito uma relação entre seus sintomas afetivos e cleptomaníacos, declarando que seus impulsos de roubar ocorrem quando eles estão deprimidos.
É possivel tratar um cleptomaníaco?
Não existem estudos controlados de tratamentos somáticos ou psicológicos em cleptomania. Relatos de casos individuais, entretanto, sugerem que várias formas de terapia comportamental podem ser efetivas em alguns pacientes. Existem também relatos isolados do sucesso do uso de psicoterapia psicanalítica, mas existem também muitos relatos negativos.
Outros relatos de caso sugerem que medicamentos antidepressivos ou com propriedades estabilizadoras do humor podem ser efetivos na cleptomania.
"Frente as considerações, vale ressaltar que o tratamento de uma pessoa cleptomaníaca costuma ser feito através de psiquiatria e psicoterapia. ... será que é necessário tudo isso"?
Disponível em: http://www.cerebromente.org.br/n11/doencas/per-impulso-clepto.htm - Silvia Helena Cardoso, PhD. Psicobióloga, mestre e doutora em Ciências. Fundadora e editora-chefe da revista Cérebro & Mente. Universidade Estadual de Campinas.
A cleptomania é popularmente conhecida, de forma simples e objetiva, como o hábito que uma pessoa tem de roubar objetos. Por vezes, nas reflexões populares, ocorre certa dúvida que gera algumas discussões sobre qual comportamento poderia ser sintoma de cleptomania, derivado de um distúrbio psicológico e o que seria desonestidade manifestada pelo ato de roubar. A novela América exibida pela Rede Globo de Televisão abordou o tema cleptomania através de uma personagem interpretada pela atriz Cristiane Torlone. A personagem apresenta uma mulher bonita, jovem, casada, mãe de uma filha e que vivencia uma situação financeira favorável, mas que, ao mesmo tempo, experimenta crises depressivas e, sem ter conhecimento direto, é traída pelo marido. Assim, tendo como base esse rápido perfil de uma pessoa cleptomaníaca vale investigar alguns fatores que envolvem esse problema. Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana, DSM IV, cleptomania não é simplesmente um hábito de pessoas que tenham uma boa condição financeira. O DSM IV ensina que a cleptomania faz parte dos Transtornos do Controle dos Impulsos, nos quais estão incluídos também o Transtorno Explosivo Intermitente, a Piromania, o Jogo Patológico e a Tricotilomania. Desta maneira, o Transtorno Explosivo Intermitente é caracterizado por episódios distintos de fracasso em resistir a impulsos agressivos, resultando em sérias agressões ou destruição de propriedades; a Piromania é caracterizada por um padrão de comportamento incendiário por prazer, gratificação ou alívio de tensão; o Jogo Patológico caracteriza-se por um comportamento mal-adaptativo, recorrente e persistente, relacionado a jogos de azar e apostas; e a Tricotilomania caracteriza-se pelo ato de puxar, de forma recorrente, os próprios cabelos por prazer, gratificação ou alívio de tensão, acarretando uma perda capilar perceptível. A característica essencial dos Transtornos de Controle dos Impulsos, inclusive da Cleptomania, que será citada separadamente abaixo, é o fracasso em resistir a um impulso ou tentação de executar um ato perigoso para a própria pessoa ou para outros. Na maioria destes transtornos, o indivíduo sente uma crescente tensão ou excitação antes de cometer o ato. Após cometê-lo, pode ou não haver arrependimento, auto-recriminação ou culpa. Especificamente o Manual de Diagnóstico e Estatística Psiquiátrico, revela que a principal característica da Cleptomania é o fracasso recorrente em resistir a impulsos de furtar objetos, embora esses não sejam necessários para o uso pessoal ou por seu valor monetário. O indivíduo vivencia um sentimento subjetivo de crescente tensão antes do furto e sente prazer, satisfação ou alívio ao cometer o furto. O furto não é cometido para expressar raiva ou vingança, não é realizado em resposta a um delírio ou alucinação, nem representa um Transtorno Anti-social da Personalidade. Os objetos são furtados, apesar de tipicamente terem pouco valor para o indivíduo, que teria condições de comprá-los e freqüentemente os dá de presente ou joga-os fora. Às vezes, o indivíduo pode colecionar os objetos furtados ou devolvê-los disfarçadamente. Embora os indivíduos com este transtorno em geral evitem furtar quando uma detenção imediata é provável (por exemplo, na proximidade de um policial), eles não costumam planejar seus furtos de antemão nem levam plenamente em conta as chances de serem presos. O furto é cometido sem auxílio ou colaboração de outros. Alguns profissionais, como a psicoterapeuta Gia Carneiro Chaves, defendem que a Cleptomania é um processo que se inicia na infância. A criança se compensa por uma profunda falta de afeto, uma carência de carinho e atenção, que a leva por vezes ao desespero. A compensação do afeto seria através de "coisas" consoante ao estado psíquico do momento, num descontrole, numa ansiedade desenfreada, numa contestação inconsciente, num chamamento de atenção angustiante, porque a criança prefere ser castigada em função do roubo a ser ignorada. A Cleptomania é uma condição rara que parece ocorrer em menos de 5% de pessoas que cometem furtos em lojas. Este Transtorno aparenta ser mais comum em mulheres. Quanto ao diagnóstico, ele não é feito, a menos que vários aspectos característicos da Cleptomania também estejam presentes. Habitualmente este diagnóstico é feito através de entrevistas e sessões psicoterapeuticas, não havendo testes ou métodos pré-determinados para avaliar a situação. "Você possui algum familiar ou amigo com cleptomania?"
Este transtorno do impulso é cercado de preconceitos e está associado a depressão e ansiedade, apesar de sempre causar muita curiosidade, cleptomania é uma doença pouco estudada, mal compreendida e cercada de preconceitos. Em psiquiatria, Cleptomania é classificada como um transtorno, uma falha em resistir ao impulso de furtar objetos que não são necessários, nem são cobiçados por seu valor monetário. O furto não é cometido por vingança, desejo de retaliação, ou para obtenção de qualquer vantagem e o paciente em geral não sabe explicar por que sua escolha por determinado objeto, ou por que o impulso aflorou naquele instante. Portanto, suas motivações não são conscientes. O cleptomaníaco raramente busca auxílio para o seu problema de perda de controle e quando isso acontece, em geral é determinado pelo estresse emocional e muitas vezes o paciente não confessa a verdadeira causa de seu desconforto. Habitualmente cleptomania está associada a transtornos depressivos e ansiosos, complicações legais e má qualidade de vida. Seu tratamento inclui medicações para os outros transtornos emocionais associados e psicoterapia para o transtorno do impulso. Algumas medicações têm sido investigadas para auxiliar no controle do impulso, mas nenhuma ainda foi confirmada como particularmente eficaz em cleptomania. Mais estudos são necessários para um melhor conhecimento desse transtorno, mas isto somente será possível quando os pacientes sentirem-se seguros o suficiente para buscarem ajuda. É mais provável que isto aconteça quando a sociedade compreender que, de todos, o maior prejudicado pelos furtos é o próprio cleptomaníaco. "O roubo compulsivo é uma doença ou algo proposital? Como você encara isso?"


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